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História de Grand Theft Auto: Lançamento e recepção

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História de Grand Theft Auto: Lançamento e recepção

O plano da BMG era iniciar o lançamento de Grand Theft Auto no Reino Unido, depois ir para os Estados Unidos e em seguida para outros mercados. Suas plataformas originais eram MS-DOS e Microsoft Windows, porém um mês depois ele também foi lançado para PlayStation. O jogo estreou em território britânico em 28 de novembro de 1997, porém de acordo com o jornalista David Kushner, o lançamento de GTA parecia secundário perto do próprio hype. Nos Estados Unidos o jogo chegou em fevereiro de 1998. A ASC Games de Connecticut ficou encarregada de distribuí-lo nas plataformas PC enquanto a Take Two Interactive cuidou do lançamento para PlayStation. A ASC seguiu o mesmo plano de Clifford no Reino Unido e também promoveu o título por meio de controvérsias, e dessa forma várias publicações correram matérias similares às britânicas que ressaltavam o conteúdo violento e a liberdade dada ao jogador em Grand Theft Auto.

Grand Theft Auto também seria lançado para Nintendo 64 por volta do final de 1999, contendo supostamente melhoramentos nos controles e nos gráficos, além da adição de novos níveis e características do jogador. Junto com isso existiram certas discussões sobre a possibilidade da Nintendo censurar o jogo por causa da linguagem e da violência. Entretanto, a versão foi cancelada antes mesmo de qualquer material ter sido divulgado. Mesmo assim uma versão para Game Boy Color foi lançada em outubro de 1999 na Europa e em novembro nos Estados Unidos, com a Tarantula Studios tendo ficado encarregada da conversão.

História de Grand Theft Auto: Lançamento e recepçãoA primeira expansão de Grand Theft Auto foi London, 1969, lançada em maio de 1999 para as versões de computadores e de PlayStation, sendo a primeira expansão disponibilizada na história do console da Sony. O jogo se passa em uma recriação da cidade de Londres no ano de 1969 e, similarmente ao original, o jogador pode escolher dentre oito personagens principais assim que começa. A história também é semelhante a original e envolve um criminoso realizando trabalhos para vários chefões a fim de subir no submundo do crime. Todos os veículos foram modelados para se assemelharem a automóveis do final da década de 1960 e as ruas seguem a mão inglesa. As estações de rádio tocam músicas inglesas da época, porém não houve nenhum melhoramento nos gráficos e nos controles.

A segunda expansão foi London, 1961, lançada um mês depois de London, 1969 apenas por download para computadores, sendo uma das primeiras expansões disponíveis nesse formato. London, 1961 era na verdade uma expansão da primeira expansão, necessitando sua instalação para poder ser jogável. Ela acrescentava novas missões e veículos e um novo modo multijogador em um mapa inspirado na cidade de Manchester, porém novamente nenhuma inovação nos gráficos ou nos controles.

A decisão de colocar as duas expansões se passando em Londres veio de Sam Houser, que nasceu e viveu durante muitos anos na cidade. Ele queria realizar uma versão digital do filme policial Get Carter, que tinha no elenco sua mãe a atriz Geraldine Moffat. De acordo com Houser: “Nos anos 1960, Londres era glamorosa, enganadora e popular, mas com uma constante tendência ultra violenta”.

Grand Theft Auto recebeu críticas geralmente boas e medianas para suas versões no PC e no PlayStation, porém a conversão para Game Boy Color teve críticas piores comparada às outras plataformas. As análises elogiavam a liberdade dada ao jogador e o nível de entretenimento que proporcionava, porém criticavam os controles e os gráficos inferiores. No site de críticas agregadas Game Rankings, a versão para computadores tem uma média de aprovação de 78.50%, a versão para PlayStation ficou com 68.33%, enquanto a versão de Game Boy tem uma classificação de 57.33%.

A Computer Games Magazine elogiou a diversão que o título proporcionava e seu conceito criminal, dizendo que “o modo divertido com o qual o jogo aceitou a anarquia é revigorante, deixando de lado o ponto de vista bonzinho encontrado na maioria dos jogos”, dando uma nota 9/10 e definindo Grand Theft Auto como um “joguinho brilhante”. A PlayStation Magazine, publicação oficial dos consoles da Sony, também gostou muito do jogo e o chamou de “um dos lançamentos mais originais, inovadores, tecnicamente impressionantes e controversos da história do PlayStation”.

A GameSpot foi mais contida em suas duas resenhas, uma para a versão de PlayStation e outra para a de computadores. Ryan Mac Donald avaliou o jogo no PlayStation e achou os gráficos bem simples e os controles excessivamente difíceis, porém elogiou seus efeitos sonoros, música e acima de tudo a liberdade que dava ao jogador. Mac Donald concluiu sua resenha com uma nota 8/10 escrevendo que “eu amei o jogo e recomendaria para qualquer um que não tenha problemas com violência ou linguagem adulta”. Tasos Kaiafas realizou a crítica para computadores, porém deu uma nota mais baixa em 6,4/10; ele disse que Grand Theft Auto era divertido, porém necessitava de paciência. Ele elogiou a física dos veículos, mas também criticou os controles, concluindo seu texto com “ele não vai ganhar nenhum prêmio. Aspirantes a sociopatas capazes de lidar com alguns defeitos vão se divertir muito”.

A Computer Gaming World teve uma análise negativa das versões para computador. Na opinião deles a “ASC Games (distribuidora norte-americana) precisa desesperadamente de um sucesso no PC, porém não sei se Grand Theft Auto será ele. É uma diversão deprava, porém uma cuja reputação acaba excedendo sua significância”. Já a GamePro e a Gaming Age não acharam o jogo nem um pouco divertido, com a segunda dizendo que Grand Theft Auto eventualmente ficava “chato”. Similarmente a Digital Press deu uma nota 5/10 criticando os controles e os gráficos, concluindo a resenha dizendo que “A única característica interessante do jogo seria ver quantas pessoas ainda o acham divertido sem a violência em massa”.

As versões para Game Boy Color foram as mais criticadas. Craig Harris da IGN achou que os controles permaneceram ruins, a qualidade sonora era muito baixa e ainda criticou a falta de carros nas ruas, “que não é exatamente uma boa coisa quando toda a ideia é parar carros para roubá-los”; ele concluiu sua resenha com uma nota 4/10 aconselhando os jogadores a não comparem a versão a menos que gostassem da versão para console. A Nintendo Power Magazine foi um pouco mais positiva com uma nota 6,2/10, porém também criticou os controles e afirmou que “o único controle de jogo bom em Grand Theft Auto é a operação do botão de ligar e desligar”.

A pior das resenhas ficou com a Entertainment Weekly, que deu ao jogo uma nota “F” e escreveu “caça-níqueis ofensivo […] tão monótono quanto desconfortável (você ganha pontos de bom comportamento com seu mafioso, porém), deixa o jogador à mercê de gráficos datados e um jogo que te enche de culpa, mas nenhum prazer”.

A equipe da DMA e da BMG já esperavam críticas voltadas aos controles e os gráficos, porém não acharam que seriam citadas frequentemente, esperando que a jogabilidade de mundo aberto fosse ser o suficiente para atrair a maior parte do foco. Como Dan Houser colocou: “Se é legal de se jogar, o visual pouco importa”.

História de Grand Theft Auto: Lançamento e recepçãoGrand Theft Auto permaneceu durante 26 semanas na lista dos mais vendidos, algo extremamente incomum já que jogos mais antigos sempre perdem lugar para novos lançamentos. As vendas foram modestas, porém mantiveram-se estáveis em aproximadamente dez mil cópias por semana. Isso ocorreu muito por conta do boca a boca de diversos jogadores recomendando o título a outros. Ele vendeu por volta de quinhentas mil cópias em território britânico, arrecadando uma quantia de 25 milhões de libras esterlinas, muito acima do orçamento total do jogo, que consistia principalmente nos salários da equipe. No final, o jogo veio a vender mais de um milhão de cópias mundialmente e gerou milhões em receita para suas companhias envolvidas.

Grand Theft Auto foi um dos jogos eletrônicos de maior controvérsia até então. Anteriormente, a enorme maioria dos jogos colocava o jogador apenas em situações que o obrigavam a realizar atividades positivas. As exceções, como Wolfenstein 3D e Doom, ainda permaneciam um pouco obscuras e limitadas. A visão muito difundida até a década de 1990 pensava que os jogos eram produtos principalmente para crianças e seus conteúdos deviam estar de acordo com esse público, porém Sam Houser achava que existia um grande mercado disponível para satisfazer adultos que desejavam conteúdos mais maduros do que até então estava disponível. A decisão de contratar Clifford para realizar a divulgação, um publicitário influente e controverso, foi algo inédito para a indústria. As controvérsias geradas por Clifford sobre o conteúdo e seu possível efeito no público jovem eram miradas justamente nesse pensamento que tais produtos destinavam-se apenas a crianças, fazendo com que a campanha de Grand Theft Auto ficasse muito eficiente.

Grand Theft Auto foi o primeiro jogo de grande destaque e impacto a incentivar que seus jogares realizassem ações criminosas dentro do mundo do jogo. Apesar de não ter sido o primeiro jogo a se ambientar em um mundo aberto (a série The Legend of Zelda já fazia isso há muito tempo, por exemplo), ele foi pioneiro ao não obrigar seus jogadores a fazerem missões, mesmo incentivando-os para ganhar benefícios. Era possível para o jogador andar pelas cidades causando caos e nunca iniciar uma missão sequer.

Apesar do sucesso do jogo e a repercussão que teve na mídia, suas vendas não foram grandiosas e o mercado continuava dominado por títulos voltados para o público mais infantil. Mesmo assim, seu lucro e impacto foram o suficiente para que uma sequência fosse encomendada. Sua produção começou na mesma época de London, 1969. A sequência, Grand Theft Auto 2, estreou no final de 1999 com uma nova história e cidade, além de gráficos e jogabilidade aprimorada. No meio tempo entre os dois jogos a BMG virou uma subsidiária da Take Two, Sam Houser tornou-se seu presidente, ela se mudou para um escritório em Nova Iorque e foi renomeada para Rockstar Games. Jones também vendeu DMA, para uma empresa chamada Gremlin Interactive, porém permaneceu em Dundee.

Jones deixou a produção dos jogos da série após Grand Theft Auto 2, enquanto Sam Houser passou ao cargo de produtor executivo e Dan Houser virou o roteirista. Foi apenas com Grand Theft Auto III em 2001 que a série realmente alcançou grande sucesso. Com gráficos tridimensionais graças a plataforma PlayStation 2, uma história não mais clichê e atores famosos dublando os personagens, o título se tornou o jogo mais vendido do ano em apenas dois meses e um dos mais aclamados da história dos jogos eletrônicos. A violência foi aumentada e consequentemente as polêmicas, e junto a série começou a receber vários processos pelo conteúdo, principalmente vindos do advogado Jack Thompson. Mesmo com toda a polêmica, cada novo título passou a ser recebido com aclamação de crítica e recordes de vendas. Atualmente, a série Grand Theft Auto é um dos maiores sucessos do entretenimento mundial, já tendo vendido mais de 150 milhões de cópias em diversas plataformas e arrecadado bilhões em dólares. O décimo primeiro título da série, Grand Theft Auto V, é sozinho o detentor de sete Guinness World Records, rendendo oitocentos milhões de dólares em receita nas primeiras 24 horas de venda e um bilhão nos primeiros três dias, tornando-se o maior lançamento da história do entretenimento e o produto que mais vendeu em menos tempo.

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2 Comentários

  1. Gustavo Viana

    17/10/2016 at 03:04

    Porque usaram a imagem do Sleeping Dogs? wtf?

    Reply

    • Hellon

      01/12/2016 at 15:52

      Com certeza queriam uma imagem com letrinhas orientais (mesmo que fosse chinês, hehe)

      Reply

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